Tuas mãos exortam

O começo:

tuas mãos exortam-me em formas e modelando-me em barro
Ao amar seguras-me vivo, e ao respirar deglutes-me, no nada
Existo no interior d’um sonho que sonha seus interiores lugares
Sonho-te longe, esquisso d’uma obsessiva loucura
Imagino-te perto, palmo a palmo apaziguando a fome
Respiro-t’o corpo, um ar pesaroso, fruto do peso dum rigor que lhe infliges
Exploro-t’os lábios de fome sanguinários
E deixamo-nos cair por tudo exaustos e usados

De manhã, acordamos para o dia masculin
Atordoados nos batimentos de pálpebras,
Mergulhamos numa devorante incerteza e procuramos um solo onde nos segurar
Abandonamo-nos às nossas experiencias pensantes, como às matilhas, em carne nua
Chegando a noite, estremecem-me os ossos com a antecipação do fim do dia
Agarro-me a ti como homem a uma mulher sua
Trepando por femininos cabelos procuro um algo incerto.
Sempre amei as coisas no seu tempo futuro
Mas acabo sempre nu frente às matilhas famintas.

No começo chegaste a mim abrindo-me o corpo,
Com olhares abertos esvaziaste-me os ossos
Agora sei que serás,
e nada

Sensacionismo e o morto

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