Portugal no Paris Photo

Artigo escrito por Pedro T. Garcia

O BDA (Bureau des Arts) do campus de Sciences Po em Poitiers celebra este mês “o mês da fotografia” e Paris une-se às celebrações. Ou será o contrário? Seja o que for, neste fim de semana acontece o maior evento na França consagrado à fotografia, o Paris Photo.

Neste evento participarão 89 galerias e 13 editores provenientes de 23 países diferentes. Entre eles haverá 7 novos países que no ano anterior não tinham representação nas galerias : Irã, Líbano, Marrocos, Tunísia, Rússia e, de particular interesse para o nosso campus, Portugal.

O evento contará com a participação pela primeira vez da galeria portuguesa Pente 10, especializada em fotografia moderna e contemporânea. Mas além disso, fotografias de alguns grandes artistas portugueses serão expostas noCarrousel du Louvre. Mesmo que nem todos sejam formalmente ícones da fotografia de Portugal, os cinco apresentam conceitos inovadores que enaltecem o nome do seu pais neste evento de fotografia.

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As obras de Victor Palla mais conhecidas a nível mundial são as suas fotografias da cidade de Lisboa entre 1956 e 1959. Junto a Manuel Costa Martins compôs um álbum de fotos que chamou Lisboa, Cidade Triste e Alegree que depois foi montado como exposição em Lisboa e Porto. Posteriormente, o livro foi publicado e em 2001 foi eleito como um dos melhores livros do século XX. Entre o seu trabalho mostrado na exposição, tem então uma belíssima representação da cidade de Lisboa da década de 1950. O timing perfeito para que os deuxièmes années comparem com a Lisboa que tiveram a oportunidade de conhecer apenas a semana passada na Escola de Outono.

portu2Bem conhecido no mundo da fotografia européia, Paulo Nozolino nasceu na década de 50 em Lisboa. Ele trabalha somente com películas preto-e-branco, onde a escuridão domina à luz; com esse efeito, o artista consegue transmitir uma versão trágica da realidade. Aí encontramos o seu olhar sobre as suas próprias experiências de vida; mas também homens, mulheres e crianças externos a ele; reunidos em cenas da vida comum, assim como na recorrente luta intrínseca entre o Eros e o Tanatos. A carreira profissional de Nozolino desenvolveu-se ao longo de viagens distantes e períodos onde viveu no exterior, em cidades como Londres e Paris. Porém, o panorama da obra encontra-se espalhado pelo mundo inteiro, sendo o mundo árabe um dos seus favoritos e sendo também o eleito para ser exposto nesta edição de Paris Photo.

portu3João Cutileiro é um artista português nascido em Lisboa de muito renome. Na verdade, o seu trabalho mais conhecido se deu na escultura, pois foi ele quem rompeu com o academismo na escultura portuguesa nos anos 70. No entanto, sempre esteve ligado à fotografia e Paris Photo é uma excelente ocasião para conhecer algumas de suas criações no âmbito fotográfico, como a série de nusVintage nudes from the 60s and the 70.

portu4Na exposição também se destaca a participação de Rita Barros, fotografafreelance nascida em Lisboa mas residente em Nova Iorque desde 1980. Barros tem participado em várias revistas e jornais americanos e europeus como o New York Times, Le Monde e Público. É muito interessante notar o que poderia se considerar uma influência norte-americana no estilo das suas fotografias. A foto The last cigarette #5 é bem uma mescla de criação contemporânea com rastros de um estilo de vida americanizado.

portu5Os Arctic Drawings, expostos também no Paris Photo, são uma série de fotografias de Miguel Santos tiradas no « meio do nada », em algum lugar entre a Noruega e o Pólo Norte. Estas têm como cenário a profunda brancura da neve. Olhando para a série, a gente se pergunta onde ficam realmente as barreiras entre a fotografia e o desenho? Percebemos então que a linha que os separa é fina demais, e que a partir do momento em que a paisagem desenha sobre a neve a fotografia mesma acaba se desenhando.

O sucesso individual destes artistas garante a maravilhosa representação do talento português no Paris Photo. Sendo este ano a fotografia árabe e iraniana o tema preponderante da exposição, é fácil ficar maravilhado com os misticismos que estes países escondem. No entanto, o sucinto panorama aqui apresentado permite destacar a vívida participação artística e cultural de Portugal neste evento de prestígio internacional.

 

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